terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O TEMPO E A CULPA

Por João José Alencar


Culpamos o tempo pelas lágrimas despejadas,
por trazer saudades que não foram solicitadas,
por levar quem se ama para longe.

Choramos a perda,
a ausência,
o excesso,
a perfeição
a desordem.

 Sempre descontentes com algo,
 culpando o relógio,
 por se atrever a nunca ter descanso

Com dor,
em sons de desespero
ou por silêncios furiosos,
despejamos no outro a culpa,
pela falta ou presença de movimento.

E ai?
O que fazer?
De quem é a culpa?
Somos vítimas ou algozes?

Feche os olhos,
talvez algum dia tenha respostas,
quem sabe fique para sempre curioso.

Tens razão em não se sentires responsável,
o tempo é o culpado de tudo.

sábado, 28 de novembro de 2015

AMAR E TEMER

Por João José Alencar



O amor é frágil, por mais perfeito que certas histórias pareçam, por mais verdadeiro e intenso que seja o tanto de sentimento que elas carregam jamais se realizarão, pois sua estrutura não suportaria a rupturas.

Carinhos repletos de paixão e desejo disfarçados de ternura e pureza, escondidos no fundo da mente, que o corpo retrai contra passos sem volta, mas não resisti ao mínimo de afeto, é uma pequena dose que alimenta um sentimento para toda vida.

Veneno do qual não se sabe se resistiríamos a seus contras, capaz de nos jogar em sonos profundos, de provocar raivas e fúrias que não estamos acostumados a lidar, que talvez tragam desmanche que a beleza de nosso romance não quer desonrar.

Julgamentos que condenariam a um de nossos lados a se fechar em uma bolha, deixando outras possibilidades em uma gaiola, quando nossos caminhos não se condessa em círculos e de forma curvilínea pretende outras bocas experimentar.

Quero mais do que já tenho, cada temporada que passa o controle foge de nossas mãos, até onde seremos capazes de fingir que nada está a acontecer, será que passaremos por esta encarnação, cultivando uma árvore que só faz sombra e é infértil de frutos.

Por um ponto final em um conto que nem começou, é como querer esvaziar um copo que nunca esteve cheio, mas as vírgulas estão afiadas, como ferrão de abelha, provoca o coração com saudades que encontros com abraços parecem não serem suficientes.

Certezas em um mundo disperso parecem ser mentirosas, tão quais segredos que são evidentes aos olhos dos outros, mas em nossas ações fazem questão de serem silenciados.

Talvez em alguma década nosso caso venha a se concretizar, antes que os olhos de um de nós se fechem para sempre e de fato se eternize uma história de amor linda e platônica, que ninguém jamais poderá afirmar que existiu. 

sábado, 17 de outubro de 2015

É PRECISO APRENDER A VIVER HISTÓRIAS CURTAS

Por João José Alencar




Esse é um dos poucos textos que o título nasce antes dos versos, parte de uma angústia interna, de alguém que sempre apreciou promessas de futuro, mas que está de saco cheio de frustrações. De alguém que aos poucos perde o medo de ideias infortunas e se acostuma com certas coisas, como cama com um corpo só, conchinhas com o travesseiro, garrafas de vinhos ao som de playlists de músicas românticas nas noites de sábado.

Talvez rompimentos com utopias latentes com meu protótipo de ser não sejam a explicação. Pode ser que esteja aprendendo a viver com a realidade de uma forma menos fantasiosa e curtindo as cores frias, mesmo em dias que o sol não acaba ao iniciar da noite. Também pode ser o tal do amadurecimento, que filósofos de plantão dizem que no homem chega mais tarde. Ou quem sabe um desapontamento com as escolhas do coração, é o cérebro pedindo impeachment, para assumir as rédeas e no fim deixar como está a parte que pede por companhia, continuando sozinha, dessa vez na desculpa que foi por escolha própria.

Acredito que é hora de aventurar em histórias curtas, onde possa curtir momentos inesquecíveis em uma noite, e no início da manhã guardá-las em registros na mente, tendo consciência que não se repetirão, sem sofrer pela falta de continuidade e em contento pela oportunidade. É hora de mentir o nome, fazer joguinhos com os olhos, treinar o sorriso, ser lobo em pele de cordeiro, inventar fatos e personagens como máscaras sob medida, travestindo-me delas. Mas como se faz isso? Como viver o hoje sem querer o amanhã? Na escola da vida estive ausente na aula que justifica as diferenças e ensina como conviver com elas, explicando porque a dramaturgia é bela, enquanto a vida não dá tréguas, é mutante.

Acho que para a metáfora de histórias curtas, vou fazer minhas adaptações. Em vez de virar um colecionador de amores, vou apenas tirar o peso das expectativas que minha imaginação sempre adiciona. É o momento de saber que um dia bem aproveitado pode valer mais que uma década de insatisfações. Quem sabe meus curtas-metragens venham a agradar, virando longa-metragem, trilogia ou até um Chatô com anos para ser finalizado ou um Simpsons em versão felizes para sempre. Para que assim amores de capítulos incertos eu possa vivenciar, sem saber que hora vai acabar e ciente de em algum momento o último beijo será dado.

Independente de qualquer certeza que assuma como verdade, confesso que cometo erros, talvez devesse ser desses loucos que se arriscam sem freios, que se joga no momento sem se importar com o próximo passo. Só que personalidades não se mudam, elas apenas se camuflam quando necessário ou se fazem secretas para permanecerem protegidas. 

Sinto que meu cérebro e meu coração estão em constante pensamento, em uma negociação árdua, sem nunca celebrar um acordo definitivo, tomara que excluam a cláusula em que amores que valem à pena são apenas aqueles carregados de esperanças para a eternidade, para que enfim possa pular de paraquedas na felicidade instantânea, me embriagar em linhas de poucas referências e sem ressacas no dia seguinte.

A metade que espera companhia precisa aprender que não é outra metade que irá satisfazê-la, boas histórias já são suficientes para completá-la. Não devemos esperar o amor para toda a vida, caminhar traz mais avanços, renova o ar até que se chegue ao destino ideal. O movimento há de garantir que a aclamada felicidade não se acanhe e nos surpreenda mesmo quando não fora convidada. 

Que fique entre nós, mas suspeito de que tive a primeira lição: não se fechar para o passageiro significa manter-se aberto ao definitivo, mas em vez de frustrações, permitimos ao futuro as respostas, pois o agora é o que importa.

domingo, 4 de outubro de 2015

CONVITE PARA UMA PAIXÃO PROIBIDA

Por João José Alencar

 


Se me perguntares se me esqueci de alguma das minhas paixões, te direi que não. Apenas as coloquei para repousar, mas quando despertadas, regressam vivas, lúcidas e arrebatadoras. Pois a alma de um geminiano não se desanima com batalhas perdidas, pois a cada amanhecer se esbalda em uma nova guerra, em que sua maior arma é um sorriso ingênuo ou um olhar de quem tem segredos a te contar, mas somente em mais de um beijo será capaz de descobrir.

Não me prenda a conjugações singulares, aceita minha pluralidade, mesmo gostando de referendar meu eu, o que importa são as poesias que poderei descobrir no meio da multidão apenas na sua identidade.  O toque de nossas mãos, o imã que atrai nossos corações, a incerteza que impede nossos abraços, essa história de amor impossível, que tal findá-la em uma garrafa de vinho.

Nesse mundo em que tudo pode, no qual, o marasmo tirou o gosto do proibido, porque não fingir nossas próprias regras, para depois descumpri-las. Eu lhe proíbo de me seduzir com teu jeito de malícia em pele delicada. Eu lhe proíbo de me prender com sussurros e tirar qualquer chance de reação, tomando para ti as minhas forças, para somente teus desejos ceder. Eu lhe condeno a uma só sentença, a continuar infringindo todas minhas proibições e continuar a me torturar em seus caprichos, contanto que me mantenha quente junto a teu corpo.

Apaixonado, sem medo de versos incoerentes, de respostas inconsistentes. Em pistas e rastros deixados ao longo da estrada, te mostro que se ainda tem dúvidas sou sua melhor opção, por ser aquele que estará em seus sonhos e continuará em seus lençóis. Ame-me. Deixe-me te amar. Mesmo que nosso conto tenha a duração de uma lua cheia, anote meu despertar em sua história, prometo quando acabar, adormecer novamente a minha paixão por ti. Essa que arrepia minha imaginação e que delira por momentos que como já disse antes, apenas em mais de um beijo será capaz de descobrir.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

CORAÇÃO SAIA DA CAIXA, O AMOR ESTÁ A TE ESPERAR

Por João José Alencar





Preso em uma caixa, sufocado por tantas questões, estava um pobre coração, que de tantos remendos se esqueceu do mundo e acabou em um lugar escuro e abafado. Eis, que em um dia quando estava lá desanimado, deixando a razão e todas as outras partes do corpo trabalhar para manter vivo aquele ser, aparece uma luz e o liberta. Enfim, o coração estava recuperado, os pontos deixados pelo tempo foram cicatrizados e as marcas viraram detalhes que não mais o esconderia.

O amor é um remédio infalível contra ombros caídos e sorrisos pela metade, ele acende chamas, domina o pensamento e purifica a alma. Bem certo, que também causa estragos, quando encerra ciclos, mas volta a ser borboleta ao ressuscitar como lagarta. Precisa de tempo para construir alicerces e é tão belo que só visualiza perfeição. No toque materializa abstratos em atos concretos, se mostra verdadeiro a mentes incrédulas.

O que se faz para manter esse sentimento livre, com asas para voar e paraísos para pousar? Ainda não se sabe. O destino não revelou sua fórmula, o futuro a nós não pertence, o presente é o que se tem pra hoje e vivê-lo é a única justificativa para que se exista o amor. Talvez a pergunta seja outra, como aproveitá-lo da melhor forma? A resposta ainda é uma incógnita, um segredo para revelar tesouros, a única maneira de descobri-la é insistir em sucessivas tentativas.

O amor é processual, e de cada nova ação, a felicidade costura em linhas finas um repertório de boas lembranças, uma certeza de que a vida é colorida, e que tais cores não seguem padrões impostos pelos outros. O amor é rebelde com causa e inova cada vez que encontra novos hospedeiros, gosta de abraços e beijos, se mostra a olhos abertos, mas se vive com as janelas fechadas. O cheiro de quem se ama impregna na pele, deixa saudades no travesseiro, faz se constante no silêncio do quarto, se tranca em nossa memória, pedindo para não ir embora.

É bom lembrar que a natureza é a maior metáfora para se entender o mundo, assim como uma planta que precisa de adubo, ar fresco, água e que com carinho brota, dar frutos e nunca morre, quando se tem novos sentimentos, cuidar sempre faz bem. Amar significa mimar, não para se ter corações soberbos e estúpidos, mas para se ter o amanhã, para que assim como lua se reveza com o sol no espetáculo de cada dia, uma história seja soberana à medida que permaneça instigante e avance para novos capítulos. Cuida de tudo o que vale a pena, penses que para toda pedra bruta, em mãos criativas se torna uma preciosidade.

O amor não é batido só porque os romances o exploram a exaustão, na vida, diferente do que qualquer ficção, ele é inesperado, não se tem fórmulas prontas, existem casos que aparece uma única vez e apenas se manifesta em um lado, existem outros que depois de vários treinos se instala até o último respiro. Coincidências nesse campo até é possível, mas cada experiência é única, pois não se pode copiar a sua essência.

O que nasceu para ser livre não se conforma com normas, jogos apenas servem para instigar a imaginação, nunca para prender corações, já que esses só se escondem em caixas, quando aquele amor está sepultado e apenas te assombra como se fosse um fantasma, exorcize-o, veja o que está do lado de fora, saia da sua caixinha.

sábado, 22 de agosto de 2015

ADVOGANDO EM PROL DO SILÊNCIO

Por João José Alencar



O silêncio cai bem. Faz companhia quando a vida aos gritos te atrofia o pensamento. Ajuda a lhe desintoxicar de paixões arrebatadoras que em corte afiado rasga os mais fortes sentimentos. Deixa a loucura se mostrar com entusiasmo, porque em mundos paralelos, toda impossibilidade se converte em real.

O silêncio serve a sabedoria. Entrega argumentos, para alimentar a quem tem fome de respostas, para com a mente satisfeita, se tenha forças para caminhar em direção reta. Acompanhado de um chá quente, realça cores antes escondidas na maquiagem dos raios de sol. Soa como liberdade no voo das folhas que o vento move em suas visitas.

O silêncio acalma. Revive amizades, separadas pelos ruídos das incertezas do cotidiano. Acerta na loteria, quando a boca se cala e a razão se articula em boas decisões futuras. Marca encontro com a paz, após tempestades passageiras. Triste e necessário, em que sua imaginação inerte apenas contempla o nada.

O silêncio também significa encanto. Fica tímido diante da beleza, que coloca em disparo as batidas do coração. Desnuda com os olhos, a sinceridade que a alma veste. Desenha com os lábios sorrisos pequenos, primeiro passo para grandes histórias. Resume discursos de horas com o escutar atento.

O silêncio, talvez seja só a falta de barulho. Significa uma dança, uma música, uma arte, uma bagunça que não precisa da palavra para se fazer presente. Representa muita coisa, mas às vezes, só é mesmo um momento de descanso. Celebra o respeito por situações, pessoas e momentos, precisa apenas de um minuto.

sábado, 8 de agosto de 2015

VENHA AGORA, MEU CORAÇÃO NÃO ACEITA MAIS DEMORAS

Por João José Alencar



Sinto a madrugada chegar e vejo que você não está ao meu lado, me pergunto “o que está errado? Porque você não está aqui?”. Lembro-me da primeira vez que os nossos sorrisos se cruzaram, meio que desencontrados, querendo se disfarçar, mas ao se deparem foi como se houvesse algo que os impedissem de se separarem e apenas desejasse perplexos por toda a eternidade esse encontro em fogo congelar, desejando-se, experimentando um ao outro.

Olho por travesseiro e sinto o seu cheiro, talvez aquele abraço devesse ser mais demorado, mas não foi. Não sei o que aconteceu de errado, não tenho ideia porque em vez de imaginar não posso te ter por inteiro. Queria me transportar para os seus braços e me entregar.  Sentir seu cheiro, me deliciar em seus beijos, sem desculpas, sem passado, sem prós, simplesmente pelo momento de poder reverenciar cada parte do teu corpo e ao menos fingir que tu és minha propriedade, algo e alguém que será parte e pedaço de mim para todo o sempre.

Diga-me onde está? O que pensas? O que sente? Não finja não escutar, sabe que estou a sussurrar em seu ouvido, assim como gostaria de ouvir sua voz em tom baixo dizer que me ama. Saiba que a insônia que bate no meu peito, chama por teu nome, digamos que se me ofereceres maçã, apenas desejarei o pecado de suas carícias. Cansei de gracejos, de tudo aquilo que pode nos separar, não quero desculpas, te quero ao meu lado, em minha cama.

Venha, não espere a noite virar dia, deixe tudo para trás, te ofereço apenas o conforto do meu coração, em que pode ter refúgio para todas as suas incertezas. Deixe as perguntas de lado, para que tantas questões? Se o gabarito desse sentimento, consiste em apenas deixar de anedotas e tocar a melodia que celebra o meu toque ao seu.

Abra as portas do seu quarto escuro, celebre dias solares ao lado de quem te espera, esqueça de um amor perfeito, junte os cacos da felicidade e costure uma história em meus sorrisos. No fim, a lua de tão cheia somente dará lugar a um sol ainda mais iluminado, porque as minhas promessas estão perpetuadas em manter sua boca na minha, em fazer de cada segundo como se fosse o último, sabendo que nem as horas têm o poder de boicotar o que sinto.


TERESA: ENTRE SER OU NÃO SER, ELA É

Por João José Alencar


Com teu olhar de francesa
Teus cabelos negros, cor de noite
Teus lábios carnudos tão qual seu desejo por riqueza
A todos, conquistava em seus flertes

Encontrou em um coração de um herói da esquina
O amor desses que se deseja por toda vida
Mas deixou que o luxo que tanto a fascina
Transformasse tão bela história em uma grande ferida

Teve a admiração dos pais por sua inteligência
A desconfiança da mãe por sua esperteza
Amizades sinceras por aquilo que seu casco aparentava
De tudo isso deixou que seus mimos a fizesse uma mulher perversa

Culpada por muitas angústias
Tomou para si o coração de seu professor
De interesse a uma paixão marcada por tragédias
O traiu pelo dinheiro, seu maior amor

Diante de lágrimas, desprezo e arrependimentos
Viu-se chorando sobre sua pelúcia valiosa
Ali via que era culpada por todos seus sofrimentos
E no último instante tem a redenção no beijo da sua joia mais preciosa


*Homenagem ao excelente trabalho de atuação da atriz Angelique Boyer na telenovela mexicana Teresa

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

CONVITE A ROMPIMENTOS COM O PREVISÍVEL PARA SE ENTREGAR A VIDA

Por João José Alencar



Nesse mundo com tantas ocupações, onde o tempo voa acelerado, aos gritos truculentos nos cobra por ação, nos deixando velhos e corcundas. No ritmo da dinâmica de prazos, nunca dentro do que precisamos, impõe sua austeridade, eliminando possibilidades de rebeldia. Quando estamos sozinhos sentimos ausência. Quando estamos em grupo ainda não estamos completos. Essa mania de está ocupado, de não desperdiçar os minutos, quando o nada significaria pausa, o remédio que um ser inquieto espera para desacelerar, tendo como efeito o equilíbrio para que a mesmice não lhe sobrecarregue. A essa cadeia conhecida poeticamente como vida, o cotidiano intimamente chama de sobrevivência.

Desse contexto pouco atrativo, marcar horários, escolher dias, selecionar repertório, preparar o local, organizar as palavras e hierarquizar a ordem dos toques, seriam atitudes necessárias, bebendo da sede do previsível, para que o desejo seja atendido com perfeição. Sendo os detalhes minimante preparados, as surpresas cuidadosamente arquitetadas, as canções devidamente pesquisadas para que cada ato tenha em seu executar deslumbre. Sem esquecer-se das palavras decoradas, para que tudo saia como uma peça já escrita e ensaiada, visando o sucesso do público e desmerecendo a mágica do improviso, que no amor não se vale do está preparado, mas sim do que se está disposto.

No entanto, me recuso a escolher datas, a deixar o concreto desiludir o abstrato que meus poros imaginam. Quero te ter em meus braços, sem ter hora marcada, sem ter o próximo segundo pensado. Quero conjugar o verbo prazer apenas no presente, libertar de todas as amarras que impedem nossos planos. Quero me entregar ao segredo de nossos olhares, deixar para que os nossos hormônios, combinados com as demais facetas de nossas carnes, dancem ao som de delirantes respiros. Quero acender algumas chamas, e no fim não quero cinzas, que venha o despertar da fênix, o renascer de novos sentimentos ainda mais belos.

Portanto, não se preocupe com a agenda cheia de compromissos, com a falta de estrelas ao deparar apenas com o vazio do teto, com as frases dispersas ditas para mudar de assunto. Nas profundezas de minha alma há um desejo que necessita vim à margem, ter em seus beijos uma esperança para romancear, dá pernas para seguir em terra firme a quem de barbatanas mora em água doce. Quem sabe assim, minha definição de sobrevivência desfaleça, para que em um brinde sacramentado em vinho tinto, possa ir ao encontro da poética e estimulante vida.

sábado, 16 de maio de 2015

BREVES NOTAS DE UM ROMANCE A ACONTECER

Por João José Alencar

Foto: Najla Santos

O amor bate na porta;
O frio abre a janela;
O medo esquenta;
O desejo congela.

Corpos se atraem;
Teorias conspiram;
Práticas se retraem;
Pernas não andam.

O beijo que esqueceu de ser dado;
O abraço rápido demais;
Os olhos que não saem da cabeça;
A rima que não vem.

Conclusões inexistentes;
Personagens reféns da própria ficção;
Maçã devorada pela serpente;
Doce, adicione sal a essa paixão.

sábado, 9 de maio de 2015

MÃE, QUE TODOS OS SEUS DIAS SEJAM FELIZES

Por João José Alencar

Mãe significa, na versão mais explícita, mulher ou fêmea que deu à luz um ser. Mas, como a linguagem mesmo explica, o significado vai além do que uma mera exposição simplista. Seja no contato social; na experiência de cada um; na exclusividade pelo qual cada pessoa tem em sua memória uma gama de associações, predicados e verbos, é que se dá sustância aquilo que se compreende por Mãe. Essa singela composição de três letras, transformada no mais belo conceito que a vida nos apresenta.

Mãe é aquela que antes mesmo de você tomar forma, deixar de ser um espermatozoide para se tornar um feto, e nos mais tardar um Ser Humano, já acariciava a barriga, fazia dos preparativos para sua vinda uma verdadeira festa. Desde o seu primeiro choro atribuiria status de grande acontecimento e a partir daí faria de cada momento, um agradecimento. Cederia em um contrato imortal todo o afeto, teria por você a definição mais legítima do que é o amor.

Mãe para alguns vai além do que a lei natural determina, às vezes, esse substantivo é dedicado a quem não nos gerou, e sim a quem escolheu dedicar sua existência, a fortificar uma semente jogada ao vento. Fazendo com que de braços desconhecidos, brote todo o cuidado necessário, para que do solitário desprender de raízes genéticas, em solo adubado pelo acolhimento, cresça árvore robusta, mudando o destino de quem, sem esse carinho, não seria nada.

Entre as infinitas possibilidades pelo qual se pode entender o que é ser Mãe, quando a associação se desprende das limitações de gênero, não olha cores e nem se qualifica por capital, é que se compreende que a felicidade é possível. Pois, a quem se chama de Mãe, doamos um sentimento inexplicável, não encontrado no extenso cardápio que o vocabulário nos oferece, e recebemos de volta, exageradamente maior e melhor, mais do que merecemos.

Mãe entre tantos cuidados, que sucumbem todas as diferenças comuns ao diário conviver, aprendi de todas as concepções que Mãe pode representar, entende-la como uma entidade de valor inestimável, que me permito nessa singela dedicatória, usar de toda arte a mim limitada, para dizer que te amo.

Esse é apenas um dia, onde o capitalismo nos direciona ao consumo, para que através de produtos, possamos retribuir o amor que nos é oferecido gratuitamente e de forma contínua, mas é, em cada minuto, em cada segundo, em cada milésimo de segundo, que a vida se posta a homenageá-la, pois ela própria não existiria se não houvesse Mães.

Feliz dia das Mães, que seja feliz todos os dias, todo o sempre e por todo o infinito. E mais uma vez, em caixa alta em letra e sentimento, digo, TE AMO.

terça-feira, 28 de abril de 2015

ENTRE NÓS

Por João José Alencar

Foto: Najla Santos


Entre nós existem imensas distâncias, que tem nossos corpos próximos, mas qualquer interação imprecisa, invisível e cega. Talvez se queira romper, assim como uma folha que rasga ao meio, o contrato que nos mantêm longe e firmado antes de ser lido, já que o magnetismo de nossas cascas intenciona nos unir em um abraço quente.

Entre nós existem medos. A coragem em toda sua insistência tenta ultrapassar as grades que a nossa timidez taxou, sem possibilidade de fiança imediata, pois o abstrato não chegou ao consenso de um valor devido, para nos liberar da sentença decretada em meio ao silêncio entre nossas palavras, aquela que insiste em nos separar.

Entre nós existem expectativas que se negam serem testadas. Tão qual como um jogo quase mortal, no entanto, bem mais linguístico, as cartas que problematizam nossa história, traz para ser entendido: porque atrás de paredes nossas falas são tão agregadoras, enquanto frente a frente são enigmas a se decifrar? Será que uma arma paralisante nos acatou e impede qualquer sentimento se expressar?

Entre nós existe desejo. Em cada aspecto do belo, capaz de encontrarmos no outro, ecoa uma íntima vontade da carne conjugar o verbo sentir. O brilho dos olhos, os lábios cheios, o cabelo crespo, o semblante instigador, de cada detalhe do corpo um adjetivo a utilizar e uma vontade que tem fome de desfrutá-lo.

Entre nós existe receio. Construir pontes entre nossos olhares é arriscado, o abismo que separa nosso encontro é delicado, e mais do que cair, talvez haja a insegurança de não voltar ao nosso lugar comum. É difícil pensar que suprimir os dilemas dessa construção, que nos leva um para o outro, possa ser tão difícil, mas ao olhar para o sujeito que cada um construiu de si mesmo, passa a ser entendível.

Entre nós há esperança. Supõe-se que o coração em ritmo acelerado, pelos batuques inevitáveis da emoção, repetidos finitamente nos confins da alma, ainda não esteja preparado para os corres que se dá a razão. Ao tempo, cabem as respostas; ao presente entrego a interrogação, sustentada por uma neblina a compor a realidade e que a imaginação se esbalda em hipóteses levantar.

sábado, 14 de março de 2015

PORQUE CONFLITOS SÃO NECESSÁRIOS?

Por João José Alencar


Foto: Najla Santos

O conflito é o que move a dramaturgia da vida real, sem ele não teríamos o sorriso pela conquista, o coração não pulsaria tanto e de forma tão prazerosa nas vitórias, porque simplesmente não haveria derrotas.

Para que se tenha um conflito não precisa de guerras, de competição e muito menos de trapaça, basta haver descobertas, perguntas e emoção. Sem conflito seríamos previsíveis, adestrados pela falsa escolha e tão sem sabor quanto o vazio no estômago. 

O excesso gera stress, afeta a sanidade com o corante incolor da raiva, que despercebido nos faz menos humanos e mais pedras. Também do exagero vêm lágrimas, doenças e medos que nos aprisionam em quartos escuros sem ventilação, que impede os nossos pensamentos de respirar.

Por isso uma maneira de colocá-lo em nossa vida na medida certa, seria através de doses homeopáticas, com um acréscimo salino quando o marasmo nos chatear. Esse é o segredo para o conflito não nos derrubar de escadas abaixo, de tirar as ferpas que o destino coloca para cairmos em sono profundo.


E assim do ardiloso conflito em viver é que nasce as boas histórias, não o aborte por uma vida regada a comerciais de margarina, o disponha para que seu futuro seja tão autêntico quanto o reflexo interno de sua alma.

Lembre-se no final a decisão é sempre SUA.

OLHE POR DE TRÁS DO ÓBVIO

Por João José Alencar

Foto: Wanderleia Pereira


Nem só de pão vive o homem. Nem só no espelho se veem reflexos. Nem sempre o medo do escuro se restringe as luzes apagadas.

Não é só de discordâncias em linhas retas que se fazem ideologias límpidas, às vezes, desvios permitem que a lógica não se contamine por discursos fundamentalistas.

Não basta desligar a tevê para se sentir um ser livre, é preciso buscar a sua verdade escondida em pensamentos indisciplinados, buscando vencer burocracias que a alma produz e alcançar o topo da opinião coerente.

Das flores que apanhamos para fazer ramalhetes de vida limitada, transfigura-se se a busca pelo belo trivial, nem sempre o céu é composto pelo azul, tons em sépia aparecem no pôr-do-sol, tons turvos se configuram em meio a trovoadas. 

Nem sempre as coisas parecem ser o que são. Nem sempre as respostas se sobreporão ao óbvio, sendo tão simples quanto se permitem enxergar. Não é só de voos rasos ou mergulhos em profundidade, que a aventura do dia será composta, o equilíbrio ainda existe.

Nesse mundo de tão grande, que parece um grande vazio, busquemos enchê-lo de reflexões permanentes, verdades contundentes e respostas nem sempre óbvias, mas sempre coerentes com as escolhas que fazemos, com o que somos, com o futuro que pouco prevemos e muito construímos.

CONSELHO PARA LIDAR COM A DECEPÇÃO

Por João José Alencar


Foto: Adalto Alexandre

Joguei fora os entulhos que ocupavam espaços preciosos de meus pensamentos. Mirei em sonhos que existiam apenas quando estava dormindo. Encontrei pessoas confusas com seus próprios fundamentos e quase desviei da rota por contos do vigário. Voltei de onde nunca devia ter saído, ora e onde seria? Regressei as minhas metas.

Aprendi que a decepção é filha legítima das expectativas, prima primeira da coragem e mãe da mudança, ou seja, família de mesmo sangue, barro que se faz porcelana. Trago como lição, que é preciso aprender com os erros, levantar com os tropeços, não ter medo do dia seguinte e enfrentar as armadilhas do cotidiano com inteligência e entusiasmo.

Posso dizer que com os olhos brilhando, com o sorriso de canto a canto do rosto, com o coração tranquilo e a cabeça fervendo de ideias malucas, que disparo minhas pernas, meus braços e meu cérebro a lutar por aquilo que desejo, acredito e mereço.

Lembre-se, no fim das contas o importante é manter a cabeça erguida, faça das surpresas descabidas a oportunidade de compreende-las como maus necessários, entenda-as como aulas para ser sábio. Por isso aceite as decepções, conviva bem com suas expectativas e receba com carinho as mudanças, a coragem sempre estará por perto, para que no fim as coisas sempre deem certo, e assim subam os créditos, anunciando um Happy End.

O COMPLEXO EU DE CADA UM DE NÓS

Por João José Alencar

Foto: Najla Santos


Sou um ser desconexo de títulos permanentes, substituo rótulos pela felicidade de me reinventar sempre. Em minha complexidade interna, escondo a simplicidade de minha alma, talvez por palavras não consiga defini-la, mas quando os sentidos a impacientam, logo a desnuda por completo.

A senha para minha compreensão talvez seja mais que um enigma ou do que um mistério sherlockiano. Talvez seja menos que uma palavra, e de menor intensidade que um arrepio. Mas, com certeza trata-se de um segredo a ser revelado, mutante conforme as intenções, duradouro conforme a comodidade de um carinho na barriga.

Transpiro suor, que cai de meu corpo sob o chão, e em câmera lenta, se dissolve de liquido em sólido brilho para pisá-lo com a borracha de meus chinelos. Supero os espinhos de pontas grossas, que perfuram os pés do gigante incorporado por minhas atitudes, tendo por solução para evitar o sofrimento do machucado aberto, não parar no tempo a espera de cicatrização.

Tão qual a lágrima que cai em silêncio renasce em um sorriso esplêndido, necessita-se desfazer do luto de um ontem sombrio, para se agarrar na esperança de dias melhores, usando-a como desculpa para mais uma tentativa.

Utilizo como metáfora a fênix presente em nossas vidas de gaiato, apagando as mágoas daquilo que ficou para trás, que já se faz esquecido pelas expectativas do futuro, este aos gritos, nos convoca a seguir o seu rastro, nesta longa estrada da vida.

De todas minhas faces, minhas dores, meus sorrisos, minha insanidade, minha razão, meus esquivos, minha exclusividade, deixo a ti minhas impressões. Posso adiantar que me entrego por completo em meus desvios, volto à reta de minha cordialidade, apenas para encontrar atalhos para caminhos que me levem por florestas verdes, adubadas pela podridão de galhos secos.

Talvez na pequenez de meus atos não haja significados cristalinos, mas na leitura de meus lábios haverá sentimentos, que se consagra em segredos, que proliferam palavras, que dão voltas em repetições, tão intensas quanto uma oração, expressões de um recado ao outro e a mim mesmo.

Desse semblante que se decepa por um labirinto, jogado em pedaços de um ser real, robotizado em um personagem social, digo que quando encontrares todas as peças, e desses fizeres seu próprio julgamento, descobrirá que no fim apenas resta os náufragos de todo o resto, sem junções lógicas, para uma compreensão óbvia de uma personalidade humana.