Por João José Alencar
Preso
em uma caixa, sufocado por tantas questões, estava um pobre coração, que de
tantos remendos se esqueceu do mundo e acabou em um lugar escuro e abafado.
Eis, que em um dia quando estava lá desanimado, deixando a razão e todas as
outras partes do corpo trabalhar para manter vivo aquele ser, aparece uma luz e
o liberta. Enfim, o coração estava recuperado, os pontos deixados pelo tempo foram cicatrizados e as marcas viraram detalhes que não mais o esconderia.
O
amor é um remédio infalível contra ombros caídos e sorrisos pela metade, ele
acende chamas, domina o pensamento e purifica a alma. Bem certo, que também
causa estragos, quando encerra ciclos, mas volta a ser borboleta ao ressuscitar
como lagarta. Precisa de tempo para construir alicerces e é tão belo que só visualiza
perfeição. No toque materializa abstratos em atos concretos, se mostra
verdadeiro a mentes incrédulas.
O
que se faz para manter esse sentimento livre, com asas para voar e paraísos
para pousar? Ainda não se sabe. O destino não revelou sua fórmula, o futuro a
nós não pertence, o presente é o que se tem pra hoje e vivê-lo é a única
justificativa para que se exista o amor. Talvez a pergunta seja outra, como
aproveitá-lo da melhor forma? A resposta ainda é uma incógnita, um segredo para
revelar tesouros, a única maneira de descobri-la é insistir em sucessivas
tentativas.
O
amor é processual, e de cada nova ação, a felicidade costura em linhas finas um
repertório de boas lembranças, uma certeza de que a vida é colorida, e que tais
cores não seguem padrões impostos pelos outros. O amor é rebelde com causa e
inova cada vez que encontra novos hospedeiros, gosta de abraços e beijos, se
mostra a olhos abertos, mas se vive com as janelas fechadas. O cheiro de quem
se ama impregna na pele, deixa saudades no travesseiro, faz se constante no
silêncio do quarto, se tranca em nossa memória, pedindo para não ir embora.
É
bom lembrar que a natureza é a maior metáfora para se entender o mundo, assim
como uma planta que precisa de adubo, ar fresco, água e que com carinho brota, dar
frutos e nunca morre, quando se tem novos sentimentos, cuidar sempre faz bem. Amar
significa mimar, não para se ter corações soberbos e estúpidos, mas para se ter
o amanhã, para que assim como lua se reveza com o sol no espetáculo de cada dia,
uma história seja soberana à medida que permaneça instigante e avance para
novos capítulos. Cuida de tudo o que vale a pena, penses que para toda pedra
bruta, em mãos criativas se torna uma preciosidade.
O
amor não é batido só porque os romances o exploram a exaustão, na vida,
diferente do que qualquer ficção, ele é inesperado, não se tem fórmulas
prontas, existem casos que aparece uma única vez e apenas se manifesta em um
lado, existem outros que depois de vários treinos se instala até o último
respiro. Coincidências nesse campo até é possível, mas cada experiência é
única, pois não se pode copiar a sua essência.
O
que nasceu para ser livre não se conforma com normas, jogos apenas servem para
instigar a imaginação, nunca para prender corações, já que esses só se escondem
em caixas, quando aquele amor está sepultado e apenas te assombra como se fosse
um fantasma, exorcize-o, veja o que está do lado de fora, saia da sua caixinha.