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| Foto: Najla Santos |
Entre
nós existem imensas distâncias, que tem nossos corpos próximos, mas qualquer
interação imprecisa, invisível e cega. Talvez se queira romper, assim como uma
folha que rasga ao meio, o contrato que nos mantêm longe e firmado antes de ser
lido, já que o magnetismo de nossas cascas intenciona nos unir em um abraço
quente.
Entre
nós existem medos. A coragem em toda sua insistência tenta ultrapassar as grades
que a nossa timidez taxou, sem possibilidade de fiança imediata, pois o abstrato
não chegou ao consenso de um valor devido, para nos liberar da sentença
decretada em meio ao silêncio entre nossas palavras, aquela que insiste em nos
separar.
Entre
nós existem expectativas que se negam serem testadas. Tão qual como um jogo
quase mortal, no entanto, bem mais linguístico, as cartas que problematizam
nossa história, traz para ser entendido: porque atrás de paredes nossas falas
são tão agregadoras, enquanto frente a frente são enigmas a se decifrar? Será
que uma arma paralisante nos acatou e impede qualquer
sentimento se expressar?
Entre
nós existe desejo. Em cada aspecto do belo, capaz de encontrarmos no outro, ecoa
uma íntima vontade da carne conjugar o verbo sentir. O brilho dos olhos, os
lábios cheios, o cabelo crespo, o semblante instigador, de cada detalhe do
corpo um adjetivo a utilizar e uma vontade que tem fome de desfrutá-lo.
Entre
nós existe receio. Construir pontes entre nossos olhares é arriscado, o abismo
que separa nosso encontro é delicado, e mais do que cair, talvez haja a insegurança
de não voltar ao nosso lugar comum. É difícil pensar que suprimir os dilemas
dessa construção, que nos leva um para o outro, possa ser tão difícil, mas ao olhar
para o sujeito que cada um construiu de si mesmo, passa a ser entendível.
Entre
nós há esperança. Supõe-se que o coração em ritmo acelerado, pelos batuques
inevitáveis da emoção, repetidos finitamente nos confins da alma, ainda não
esteja preparado para os corres que se dá a razão. Ao tempo, cabem as respostas;
ao presente entrego a interrogação, sustentada por uma neblina a compor a
realidade e que a imaginação se esbalda em hipóteses levantar.
