sábado, 22 de agosto de 2015

ADVOGANDO EM PROL DO SILÊNCIO

Por João José Alencar



O silêncio cai bem. Faz companhia quando a vida aos gritos te atrofia o pensamento. Ajuda a lhe desintoxicar de paixões arrebatadoras que em corte afiado rasga os mais fortes sentimentos. Deixa a loucura se mostrar com entusiasmo, porque em mundos paralelos, toda impossibilidade se converte em real.

O silêncio serve a sabedoria. Entrega argumentos, para alimentar a quem tem fome de respostas, para com a mente satisfeita, se tenha forças para caminhar em direção reta. Acompanhado de um chá quente, realça cores antes escondidas na maquiagem dos raios de sol. Soa como liberdade no voo das folhas que o vento move em suas visitas.

O silêncio acalma. Revive amizades, separadas pelos ruídos das incertezas do cotidiano. Acerta na loteria, quando a boca se cala e a razão se articula em boas decisões futuras. Marca encontro com a paz, após tempestades passageiras. Triste e necessário, em que sua imaginação inerte apenas contempla o nada.

O silêncio também significa encanto. Fica tímido diante da beleza, que coloca em disparo as batidas do coração. Desnuda com os olhos, a sinceridade que a alma veste. Desenha com os lábios sorrisos pequenos, primeiro passo para grandes histórias. Resume discursos de horas com o escutar atento.

O silêncio, talvez seja só a falta de barulho. Significa uma dança, uma música, uma arte, uma bagunça que não precisa da palavra para se fazer presente. Representa muita coisa, mas às vezes, só é mesmo um momento de descanso. Celebra o respeito por situações, pessoas e momentos, precisa apenas de um minuto.

sábado, 8 de agosto de 2015

VENHA AGORA, MEU CORAÇÃO NÃO ACEITA MAIS DEMORAS

Por João José Alencar



Sinto a madrugada chegar e vejo que você não está ao meu lado, me pergunto “o que está errado? Porque você não está aqui?”. Lembro-me da primeira vez que os nossos sorrisos se cruzaram, meio que desencontrados, querendo se disfarçar, mas ao se deparem foi como se houvesse algo que os impedissem de se separarem e apenas desejasse perplexos por toda a eternidade esse encontro em fogo congelar, desejando-se, experimentando um ao outro.

Olho por travesseiro e sinto o seu cheiro, talvez aquele abraço devesse ser mais demorado, mas não foi. Não sei o que aconteceu de errado, não tenho ideia porque em vez de imaginar não posso te ter por inteiro. Queria me transportar para os seus braços e me entregar.  Sentir seu cheiro, me deliciar em seus beijos, sem desculpas, sem passado, sem prós, simplesmente pelo momento de poder reverenciar cada parte do teu corpo e ao menos fingir que tu és minha propriedade, algo e alguém que será parte e pedaço de mim para todo o sempre.

Diga-me onde está? O que pensas? O que sente? Não finja não escutar, sabe que estou a sussurrar em seu ouvido, assim como gostaria de ouvir sua voz em tom baixo dizer que me ama. Saiba que a insônia que bate no meu peito, chama por teu nome, digamos que se me ofereceres maçã, apenas desejarei o pecado de suas carícias. Cansei de gracejos, de tudo aquilo que pode nos separar, não quero desculpas, te quero ao meu lado, em minha cama.

Venha, não espere a noite virar dia, deixe tudo para trás, te ofereço apenas o conforto do meu coração, em que pode ter refúgio para todas as suas incertezas. Deixe as perguntas de lado, para que tantas questões? Se o gabarito desse sentimento, consiste em apenas deixar de anedotas e tocar a melodia que celebra o meu toque ao seu.

Abra as portas do seu quarto escuro, celebre dias solares ao lado de quem te espera, esqueça de um amor perfeito, junte os cacos da felicidade e costure uma história em meus sorrisos. No fim, a lua de tão cheia somente dará lugar a um sol ainda mais iluminado, porque as minhas promessas estão perpetuadas em manter sua boca na minha, em fazer de cada segundo como se fosse o último, sabendo que nem as horas têm o poder de boicotar o que sinto.


TERESA: ENTRE SER OU NÃO SER, ELA É

Por João José Alencar


Com teu olhar de francesa
Teus cabelos negros, cor de noite
Teus lábios carnudos tão qual seu desejo por riqueza
A todos, conquistava em seus flertes

Encontrou em um coração de um herói da esquina
O amor desses que se deseja por toda vida
Mas deixou que o luxo que tanto a fascina
Transformasse tão bela história em uma grande ferida

Teve a admiração dos pais por sua inteligência
A desconfiança da mãe por sua esperteza
Amizades sinceras por aquilo que seu casco aparentava
De tudo isso deixou que seus mimos a fizesse uma mulher perversa

Culpada por muitas angústias
Tomou para si o coração de seu professor
De interesse a uma paixão marcada por tragédias
O traiu pelo dinheiro, seu maior amor

Diante de lágrimas, desprezo e arrependimentos
Viu-se chorando sobre sua pelúcia valiosa
Ali via que era culpada por todos seus sofrimentos
E no último instante tem a redenção no beijo da sua joia mais preciosa


*Homenagem ao excelente trabalho de atuação da atriz Angelique Boyer na telenovela mexicana Teresa

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

CONVITE A ROMPIMENTOS COM O PREVISÍVEL PARA SE ENTREGAR A VIDA

Por João José Alencar



Nesse mundo com tantas ocupações, onde o tempo voa acelerado, aos gritos truculentos nos cobra por ação, nos deixando velhos e corcundas. No ritmo da dinâmica de prazos, nunca dentro do que precisamos, impõe sua austeridade, eliminando possibilidades de rebeldia. Quando estamos sozinhos sentimos ausência. Quando estamos em grupo ainda não estamos completos. Essa mania de está ocupado, de não desperdiçar os minutos, quando o nada significaria pausa, o remédio que um ser inquieto espera para desacelerar, tendo como efeito o equilíbrio para que a mesmice não lhe sobrecarregue. A essa cadeia conhecida poeticamente como vida, o cotidiano intimamente chama de sobrevivência.

Desse contexto pouco atrativo, marcar horários, escolher dias, selecionar repertório, preparar o local, organizar as palavras e hierarquizar a ordem dos toques, seriam atitudes necessárias, bebendo da sede do previsível, para que o desejo seja atendido com perfeição. Sendo os detalhes minimante preparados, as surpresas cuidadosamente arquitetadas, as canções devidamente pesquisadas para que cada ato tenha em seu executar deslumbre. Sem esquecer-se das palavras decoradas, para que tudo saia como uma peça já escrita e ensaiada, visando o sucesso do público e desmerecendo a mágica do improviso, que no amor não se vale do está preparado, mas sim do que se está disposto.

No entanto, me recuso a escolher datas, a deixar o concreto desiludir o abstrato que meus poros imaginam. Quero te ter em meus braços, sem ter hora marcada, sem ter o próximo segundo pensado. Quero conjugar o verbo prazer apenas no presente, libertar de todas as amarras que impedem nossos planos. Quero me entregar ao segredo de nossos olhares, deixar para que os nossos hormônios, combinados com as demais facetas de nossas carnes, dancem ao som de delirantes respiros. Quero acender algumas chamas, e no fim não quero cinzas, que venha o despertar da fênix, o renascer de novos sentimentos ainda mais belos.

Portanto, não se preocupe com a agenda cheia de compromissos, com a falta de estrelas ao deparar apenas com o vazio do teto, com as frases dispersas ditas para mudar de assunto. Nas profundezas de minha alma há um desejo que necessita vim à margem, ter em seus beijos uma esperança para romancear, dá pernas para seguir em terra firme a quem de barbatanas mora em água doce. Quem sabe assim, minha definição de sobrevivência desfaleça, para que em um brinde sacramentado em vinho tinto, possa ir ao encontro da poética e estimulante vida.