O
silêncio cai bem. Faz companhia quando a vida aos gritos te atrofia o
pensamento. Ajuda a lhe desintoxicar de paixões arrebatadoras que em corte
afiado rasga os mais fortes sentimentos. Deixa a loucura se mostrar com
entusiasmo, porque em mundos paralelos, toda impossibilidade se converte em
real.
O
silêncio serve a sabedoria. Entrega argumentos, para alimentar a quem tem fome
de respostas, para com a mente satisfeita, se tenha forças para caminhar em
direção reta. Acompanhado de um chá quente, realça cores antes escondidas na
maquiagem dos raios de sol. Soa como liberdade no voo das folhas que o vento
move em suas visitas.
O
silêncio acalma. Revive amizades, separadas pelos ruídos das incertezas do
cotidiano. Acerta na loteria, quando a boca se cala e a razão se articula em
boas decisões futuras. Marca encontro com a paz, após tempestades passageiras.
Triste e necessário, em que sua imaginação inerte apenas contempla o nada.
O
silêncio também significa encanto. Fica tímido diante da beleza, que coloca em
disparo as batidas do coração. Desnuda com os olhos, a sinceridade que a alma
veste. Desenha com os lábios sorrisos pequenos, primeiro passo para grandes
histórias. Resume discursos de horas com o escutar atento.
O
silêncio, talvez seja só a falta de barulho. Significa uma dança, uma música,
uma arte, uma bagunça que não precisa da palavra para se fazer presente.
Representa muita coisa, mas às vezes, só é mesmo um momento de descanso. Celebra
o respeito por situações, pessoas e momentos, precisa apenas de um
minuto.



