Por João José Alencar
O amor é frágil, por mais perfeito que certas histórias
pareçam, por mais verdadeiro e intenso que seja o tanto de sentimento que elas carregam
jamais se realizarão, pois sua estrutura não suportaria a rupturas.
Carinhos repletos de paixão e desejo disfarçados de ternura
e pureza, escondidos no fundo da mente, que o corpo retrai contra passos sem
volta, mas não resisti ao mínimo de afeto, é uma pequena dose que alimenta um
sentimento para toda vida.
Veneno do qual não se sabe se resistiríamos a seus contras,
capaz de nos jogar em sonos profundos, de provocar raivas e fúrias que não
estamos acostumados a lidar, que talvez tragam desmanche que a beleza de nosso
romance não quer desonrar.
Julgamentos que condenariam a um de nossos lados a se fechar
em uma bolha, deixando outras possibilidades em uma gaiola, quando nossos
caminhos não se condessa em círculos e de forma curvilínea pretende outras
bocas experimentar.
Quero mais do que já tenho, cada temporada que passa o
controle foge de nossas mãos, até onde seremos capazes de fingir que nada está
a acontecer, será que passaremos por esta encarnação, cultivando uma árvore que
só faz sombra e é infértil de frutos.
Por um ponto final em um conto que nem começou, é como querer
esvaziar um copo que nunca esteve cheio, mas as vírgulas estão afiadas, como
ferrão de abelha, provoca o coração com saudades que encontros com abraços
parecem não serem suficientes.
Certezas em um mundo disperso parecem ser mentirosas, tão
quais segredos que são evidentes aos olhos dos outros, mas em nossas ações
fazem questão de serem silenciados.
Talvez em alguma década nosso caso venha a se
concretizar, antes que os olhos de um de nós se fechem para sempre e de fato se
eternize uma história de amor linda e platônica, que ninguém jamais poderá
afirmar que existiu.
