sábado, 28 de novembro de 2015

AMAR E TEMER

Por João José Alencar



O amor é frágil, por mais perfeito que certas histórias pareçam, por mais verdadeiro e intenso que seja o tanto de sentimento que elas carregam jamais se realizarão, pois sua estrutura não suportaria a rupturas.

Carinhos repletos de paixão e desejo disfarçados de ternura e pureza, escondidos no fundo da mente, que o corpo retrai contra passos sem volta, mas não resisti ao mínimo de afeto, é uma pequena dose que alimenta um sentimento para toda vida.

Veneno do qual não se sabe se resistiríamos a seus contras, capaz de nos jogar em sonos profundos, de provocar raivas e fúrias que não estamos acostumados a lidar, que talvez tragam desmanche que a beleza de nosso romance não quer desonrar.

Julgamentos que condenariam a um de nossos lados a se fechar em uma bolha, deixando outras possibilidades em uma gaiola, quando nossos caminhos não se condessa em círculos e de forma curvilínea pretende outras bocas experimentar.

Quero mais do que já tenho, cada temporada que passa o controle foge de nossas mãos, até onde seremos capazes de fingir que nada está a acontecer, será que passaremos por esta encarnação, cultivando uma árvore que só faz sombra e é infértil de frutos.

Por um ponto final em um conto que nem começou, é como querer esvaziar um copo que nunca esteve cheio, mas as vírgulas estão afiadas, como ferrão de abelha, provoca o coração com saudades que encontros com abraços parecem não serem suficientes.

Certezas em um mundo disperso parecem ser mentirosas, tão quais segredos que são evidentes aos olhos dos outros, mas em nossas ações fazem questão de serem silenciados.

Talvez em alguma década nosso caso venha a se concretizar, antes que os olhos de um de nós se fechem para sempre e de fato se eternize uma história de amor linda e platônica, que ninguém jamais poderá afirmar que existiu.