Se
me perguntares qual é o ser mais ingênuo da face da terra? A resposta óbvia
será o apaixonado. Esse que consegue nutrir esperanças mesmo quando o coração
de quem deseja não é propicio a atender suas perspectivas. Pobre em suas
possibilidades de concretizar o que idealiza. Rico em imaginação, para manter
vivo e de forma linda as ilusões, que o permite sonhar com os olhos abertos.
Apaixonar-se
é algo simples e ao mesmo tempo complexo, pois surge sem que nos demos conta
das raízes que estão brotando e vai ganhando força, de forma a eliminar os
anticorpos para retraí-lo. Motor para os finais tristes que emocionam plateias
do mundo inteiro e combustível para um mercado que não se esgota de juras para
todo o sempre.
O
amor é um sentimento lindo, do qual não devemos ter medo de assumi-lo, mas que
também machuca, nem sempre convêm ser aparente e refugiá-lo no peito dói, em
sua companhia florescem outros estados de espírito. Talvez seja a melhor
desculpa para afogar a dignidade que ainda nos resta em longas noites
estendidas no álcool, esquecendo o bom juízo de absorver a dor sintomática em
silêncio para expô-la em vexames libertadores. Chorando em ombros de amigos ou
de pessoas desconhecidas, o que vale é gritar todo o desespero inconsciente de
uma história mal resolvida.
Amar
tornar-se um roda gigante de sensações, seja por carregar a força desse
sentimento sozinho, como um segredo a ser repetido em tom baixo apenas para as
paredes do quarto ou vivenciá-lo a dois, em qualquer parte que seja permitido
uma demonstração de carinho, como uma contemplação a todas as promessas das páginas
de um romance ou de um beijo de cinema.
O amor também tem como marca um constante estar em conflito, desperta dúvidas independente da forma que é experimentado: Será que um dia chegará o momento de desfrutar o desejo reprimido? Será que ainda teremos verões para juntos de todo afeto compartilhar?
Eis
que o grande perigo de se apaixonar é tornar-se vulnerável, deixar brechas para
mágoas que afetarão todas as nossas formas de viver, por mais que a receita
indique que o tempo cicatrizará as feridas, temos a realidade a contestar com
lágrimas, que quando param de cair, faz o filtro que nos permitia enxergar em
tudo arco-ires deturpar-se em neblinas.
Precisamos
ser fortes, acreditar nas promessas de que em breve será nos concedido a
felicidade completa. Quem sabe o papo de que algo bom nos está reservado tem
seu fundo de verdade, pelo menos devemos ir à busca de fabricá-la, afinal viver
só vale à pena quando a gente se joga, contanto que esse jogar não seja entendido
como o mover de cartas, mas de cair ou pular para o que está a espera no fundo
dos abismos da alma.
Amar,
apaixonar-se, sofrer e acreditar no amanhã, talvez dessa conjugação nasça grandes
lembranças. Lembre-se que se você é capaz de sentir é porque está vivo e por
mais que as expectativas nunca sejam como imaginadas, a beleza impregnada no
campo das ideias que somente o amor proporciona vale muito à pena.
É preciso acreditar nos inúmeros depoimentos
que a história humana já propiciou, tendo desconfiança ou com uma crença
indestrutível, tenhamos fé. A vida é bandida, só que alguns momentos conseguem
compensar toda a provação que em outros nos dispôs. O amor é um risco do qual
devemos apostar, seja em linhas tortas ou em retas perfeitas, só saberemos as
consequências se optarmos em seus limites adentrar.
