sábado, 14 de março de 2015

O COMPLEXO EU DE CADA UM DE NÓS

Por João José Alencar

Foto: Najla Santos


Sou um ser desconexo de títulos permanentes, substituo rótulos pela felicidade de me reinventar sempre. Em minha complexidade interna, escondo a simplicidade de minha alma, talvez por palavras não consiga defini-la, mas quando os sentidos a impacientam, logo a desnuda por completo.

A senha para minha compreensão talvez seja mais que um enigma ou do que um mistério sherlockiano. Talvez seja menos que uma palavra, e de menor intensidade que um arrepio. Mas, com certeza trata-se de um segredo a ser revelado, mutante conforme as intenções, duradouro conforme a comodidade de um carinho na barriga.

Transpiro suor, que cai de meu corpo sob o chão, e em câmera lenta, se dissolve de liquido em sólido brilho para pisá-lo com a borracha de meus chinelos. Supero os espinhos de pontas grossas, que perfuram os pés do gigante incorporado por minhas atitudes, tendo por solução para evitar o sofrimento do machucado aberto, não parar no tempo a espera de cicatrização.

Tão qual a lágrima que cai em silêncio renasce em um sorriso esplêndido, necessita-se desfazer do luto de um ontem sombrio, para se agarrar na esperança de dias melhores, usando-a como desculpa para mais uma tentativa.

Utilizo como metáfora a fênix presente em nossas vidas de gaiato, apagando as mágoas daquilo que ficou para trás, que já se faz esquecido pelas expectativas do futuro, este aos gritos, nos convoca a seguir o seu rastro, nesta longa estrada da vida.

De todas minhas faces, minhas dores, meus sorrisos, minha insanidade, minha razão, meus esquivos, minha exclusividade, deixo a ti minhas impressões. Posso adiantar que me entrego por completo em meus desvios, volto à reta de minha cordialidade, apenas para encontrar atalhos para caminhos que me levem por florestas verdes, adubadas pela podridão de galhos secos.

Talvez na pequenez de meus atos não haja significados cristalinos, mas na leitura de meus lábios haverá sentimentos, que se consagra em segredos, que proliferam palavras, que dão voltas em repetições, tão intensas quanto uma oração, expressões de um recado ao outro e a mim mesmo.

Desse semblante que se decepa por um labirinto, jogado em pedaços de um ser real, robotizado em um personagem social, digo que quando encontrares todas as peças, e desses fizeres seu próprio julgamento, descobrirá que no fim apenas resta os náufragos de todo o resto, sem junções lógicas, para uma compreensão óbvia de uma personalidade humana.

2 comentários: