Por João José Alencar

A alma animada pulava de barco em barco na busca de certezas, certa vez pisou errado e em um buraco de fundo falso, beirando o infinito, afundou-se.
Eis, que o fim anunciado não se deu. A alma não era de carne, ao contrário, era imortal. E nas profundezas, na escuridão da incerteza, aprendeu o prazer da descoberta.
Embriagada, a alma nunca mais se permitiu o conforto do passo seguinte saber. Também nunca mais foi encontrada.
A alma se perdeu de si, para abraçar o mundo das possibilidades, vazias de finalidades. Não se pode dizer se fez bom negócio, pois se saiu de um caminho em círculos caiu sem perspectiva de encontrar seu chão.
Talvez a alma seja apenas uma prisioneira, para que a carne faça seus monólogos na finitude da vida e os barcos seja o único momento sóbrio de sua imortalidade.
Que delícia então descobrir, que até mesmo pulando de barco em barco, há momentos para experimentar doses de pequenas loucuras. É possível que o círculo não seja tão redondo como insiste em parecer.
Entre viver e se ter vida existem mais mistérios do que uma metáfora pode conter.