Por João José Alencar
Sinto
a madrugada chegar e vejo que você não está ao meu lado, me pergunto “o que está
errado? Porque você não está aqui?”. Lembro-me da primeira vez que os nossos
sorrisos se cruzaram, meio que desencontrados, querendo se disfarçar, mas ao se
deparem foi como se houvesse algo que os impedissem de se separarem e apenas
desejasse perplexos por toda a eternidade esse encontro em fogo congelar, desejando-se,
experimentando um ao outro.
Olho
por travesseiro e sinto o seu cheiro, talvez aquele abraço devesse ser mais
demorado, mas não foi. Não sei o que aconteceu de errado, não tenho ideia
porque em vez de imaginar não posso te ter por inteiro. Queria me transportar para
os seus braços e me entregar. Sentir seu
cheiro, me deliciar em seus beijos, sem desculpas, sem passado, sem prós,
simplesmente pelo momento de poder reverenciar cada parte do teu corpo e ao
menos fingir que tu és minha propriedade, algo e alguém que será parte e pedaço
de mim para todo o sempre.
Diga-me
onde está? O que pensas? O que sente? Não finja não escutar, sabe que estou a sussurrar
em seu ouvido, assim como gostaria de ouvir sua voz em tom baixo dizer que me
ama. Saiba que a insônia que bate no meu peito, chama por teu nome, digamos que
se me ofereceres maçã, apenas desejarei o pecado de suas carícias. Cansei de
gracejos, de tudo aquilo que pode nos separar, não quero desculpas, te quero ao
meu lado, em minha cama.
Venha,
não espere a noite virar dia, deixe tudo para trás, te ofereço apenas o
conforto do meu coração, em que pode ter refúgio para todas as suas incertezas.
Deixe as perguntas de lado, para que tantas questões? Se o gabarito desse
sentimento, consiste em apenas deixar de anedotas e tocar a melodia que celebra
o meu toque ao seu.
Abra as portas do seu quarto escuro, celebre
dias solares ao lado de quem te espera, esqueça de um amor perfeito, junte os
cacos da felicidade e costure uma história em meus sorrisos. No fim, a lua de
tão cheia somente dará lugar a um sol ainda mais iluminado, porque as minhas
promessas estão perpetuadas em manter sua boca na minha, em fazer de cada
segundo como se fosse o último, sabendo que nem as horas têm o poder de
boicotar o que sinto.

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