sábado, 14 de março de 2015

PORQUE CONFLITOS SÃO NECESSÁRIOS?

Por João José Alencar


Foto: Najla Santos

O conflito é o que move a dramaturgia da vida real, sem ele não teríamos o sorriso pela conquista, o coração não pulsaria tanto e de forma tão prazerosa nas vitórias, porque simplesmente não haveria derrotas.

Para que se tenha um conflito não precisa de guerras, de competição e muito menos de trapaça, basta haver descobertas, perguntas e emoção. Sem conflito seríamos previsíveis, adestrados pela falsa escolha e tão sem sabor quanto o vazio no estômago. 

O excesso gera stress, afeta a sanidade com o corante incolor da raiva, que despercebido nos faz menos humanos e mais pedras. Também do exagero vêm lágrimas, doenças e medos que nos aprisionam em quartos escuros sem ventilação, que impede os nossos pensamentos de respirar.

Por isso uma maneira de colocá-lo em nossa vida na medida certa, seria através de doses homeopáticas, com um acréscimo salino quando o marasmo nos chatear. Esse é o segredo para o conflito não nos derrubar de escadas abaixo, de tirar as ferpas que o destino coloca para cairmos em sono profundo.


E assim do ardiloso conflito em viver é que nasce as boas histórias, não o aborte por uma vida regada a comerciais de margarina, o disponha para que seu futuro seja tão autêntico quanto o reflexo interno de sua alma.

Lembre-se no final a decisão é sempre SUA.

OLHE POR DE TRÁS DO ÓBVIO

Por João José Alencar

Foto: Wanderleia Pereira


Nem só de pão vive o homem. Nem só no espelho se veem reflexos. Nem sempre o medo do escuro se restringe as luzes apagadas.

Não é só de discordâncias em linhas retas que se fazem ideologias límpidas, às vezes, desvios permitem que a lógica não se contamine por discursos fundamentalistas.

Não basta desligar a tevê para se sentir um ser livre, é preciso buscar a sua verdade escondida em pensamentos indisciplinados, buscando vencer burocracias que a alma produz e alcançar o topo da opinião coerente.

Das flores que apanhamos para fazer ramalhetes de vida limitada, transfigura-se se a busca pelo belo trivial, nem sempre o céu é composto pelo azul, tons em sépia aparecem no pôr-do-sol, tons turvos se configuram em meio a trovoadas. 

Nem sempre as coisas parecem ser o que são. Nem sempre as respostas se sobreporão ao óbvio, sendo tão simples quanto se permitem enxergar. Não é só de voos rasos ou mergulhos em profundidade, que a aventura do dia será composta, o equilíbrio ainda existe.

Nesse mundo de tão grande, que parece um grande vazio, busquemos enchê-lo de reflexões permanentes, verdades contundentes e respostas nem sempre óbvias, mas sempre coerentes com as escolhas que fazemos, com o que somos, com o futuro que pouco prevemos e muito construímos.

CONSELHO PARA LIDAR COM A DECEPÇÃO

Por João José Alencar


Foto: Adalto Alexandre

Joguei fora os entulhos que ocupavam espaços preciosos de meus pensamentos. Mirei em sonhos que existiam apenas quando estava dormindo. Encontrei pessoas confusas com seus próprios fundamentos e quase desviei da rota por contos do vigário. Voltei de onde nunca devia ter saído, ora e onde seria? Regressei as minhas metas.

Aprendi que a decepção é filha legítima das expectativas, prima primeira da coragem e mãe da mudança, ou seja, família de mesmo sangue, barro que se faz porcelana. Trago como lição, que é preciso aprender com os erros, levantar com os tropeços, não ter medo do dia seguinte e enfrentar as armadilhas do cotidiano com inteligência e entusiasmo.

Posso dizer que com os olhos brilhando, com o sorriso de canto a canto do rosto, com o coração tranquilo e a cabeça fervendo de ideias malucas, que disparo minhas pernas, meus braços e meu cérebro a lutar por aquilo que desejo, acredito e mereço.

Lembre-se, no fim das contas o importante é manter a cabeça erguida, faça das surpresas descabidas a oportunidade de compreende-las como maus necessários, entenda-as como aulas para ser sábio. Por isso aceite as decepções, conviva bem com suas expectativas e receba com carinho as mudanças, a coragem sempre estará por perto, para que no fim as coisas sempre deem certo, e assim subam os créditos, anunciando um Happy End.

O COMPLEXO EU DE CADA UM DE NÓS

Por João José Alencar

Foto: Najla Santos


Sou um ser desconexo de títulos permanentes, substituo rótulos pela felicidade de me reinventar sempre. Em minha complexidade interna, escondo a simplicidade de minha alma, talvez por palavras não consiga defini-la, mas quando os sentidos a impacientam, logo a desnuda por completo.

A senha para minha compreensão talvez seja mais que um enigma ou do que um mistério sherlockiano. Talvez seja menos que uma palavra, e de menor intensidade que um arrepio. Mas, com certeza trata-se de um segredo a ser revelado, mutante conforme as intenções, duradouro conforme a comodidade de um carinho na barriga.

Transpiro suor, que cai de meu corpo sob o chão, e em câmera lenta, se dissolve de liquido em sólido brilho para pisá-lo com a borracha de meus chinelos. Supero os espinhos de pontas grossas, que perfuram os pés do gigante incorporado por minhas atitudes, tendo por solução para evitar o sofrimento do machucado aberto, não parar no tempo a espera de cicatrização.

Tão qual a lágrima que cai em silêncio renasce em um sorriso esplêndido, necessita-se desfazer do luto de um ontem sombrio, para se agarrar na esperança de dias melhores, usando-a como desculpa para mais uma tentativa.

Utilizo como metáfora a fênix presente em nossas vidas de gaiato, apagando as mágoas daquilo que ficou para trás, que já se faz esquecido pelas expectativas do futuro, este aos gritos, nos convoca a seguir o seu rastro, nesta longa estrada da vida.

De todas minhas faces, minhas dores, meus sorrisos, minha insanidade, minha razão, meus esquivos, minha exclusividade, deixo a ti minhas impressões. Posso adiantar que me entrego por completo em meus desvios, volto à reta de minha cordialidade, apenas para encontrar atalhos para caminhos que me levem por florestas verdes, adubadas pela podridão de galhos secos.

Talvez na pequenez de meus atos não haja significados cristalinos, mas na leitura de meus lábios haverá sentimentos, que se consagra em segredos, que proliferam palavras, que dão voltas em repetições, tão intensas quanto uma oração, expressões de um recado ao outro e a mim mesmo.

Desse semblante que se decepa por um labirinto, jogado em pedaços de um ser real, robotizado em um personagem social, digo que quando encontrares todas as peças, e desses fizeres seu próprio julgamento, descobrirá que no fim apenas resta os náufragos de todo o resto, sem junções lógicas, para uma compreensão óbvia de uma personalidade humana.