Por João José Alencar
Segundo o dicionário, “cidadania” é o mesmo que dignidade ou qualidade de cidadão. Diante do significado, essa palavra de nove letras ganha destaque entre todas as outras, mas parece que dentro do canil em que vivemos os seus contornos são de conto de fadas, sendo possível apenas no mundo das ilusões. Pois de concreto temos apenas dor e sofrimento, onde os cidadãos são considerados pelo governo e por eles mesmos como escravos remunerados.
Na época das eleições é comum ver aspirantes a cargos políticos e lobos ferozes dispostos a manter o status e o poder alcançado em seu mandato prometer mundos e fundos. São tantas as ladainhas, que o pobre acostumado a repartir com sua mulher e mais uma penca de filhos o pão velho ganho do patrão que tinha como segunda opção jogá-lo no lixo, pois para ele nem os seus animais domésticos, acostumados com ração importada merece pão adormecido como alimento. Deixa-se iludir e além de dar o seu voto, passa a defender o seu candidato com unhas e dentes, já que o mesmo é o seu “amigo” e ele como “cidadão” irá escolher a opção certa para melhorar a vida de sua família.
É tão dura a vida do brasileiro e, por que não dizer, do ser humano, afinal em todo o mundo a história é a mesma, só muda os personagens. Que qualquer esperança de termos direito a cidadania é bem vista e recebida com festa, sendo numa assustadora quantidade de vezes feitas por lobos em pele de cordeiros. O pior é que de tantos enganos, roubalheiras, desinteresse pelo outro e pinóquios ocupando cargos que defendem os nossos direitos, as pessoas adquiriram o pensamento de conformismo, tanto que atos de honestidade ganham destaque na mídia pela sua raridade, quando deveria ser tida como dever de todos.
Quando perdemos a fé no ser humano e deixamos de fazer a nossa parte é como se tivéssemos cavando o abismo com destino ao inferno ao qual se encaminha o mundo. As pessoas destroem a beleza para construir amontoados de tijolos e cimento. Mesmo com uma overdose de templos a louvar Deus, garantindo o sustento até em época de crise de quem vive da confecção de Bíblias, os ensinamentos de Jesus, aquele conhecido como filho do Criador, é tão desprezado e desvirtuado. O seu nome é reverenciado de forma a mascarar os desejos e cobiças do homem, fruto do capitalismo selvagem presente na atual sociedade.
Falar de cidadania nos dias de hoje é uma grande incoerência, já que esquecemos de fazer a lição de casa. Erramos e não reconhecemos. Perdemos e não aceitamos. Vegetamos e insistimos a dizer que vivemos. Antes de falar de cidadania é preciso encarar os problemas e buscar soluções imediatas. Só depois de jogar fora as incompetências do passado e ter um presente com igualdade, poderemos dizer o que é cidadania, com moral de quem a vive e a pratica, sendo professores e referência para as gerações futuras.
*Esse texto conseguiu o 1° lugar no prêmio II DepCom - Edição Shirlene Rohr de Souza no ano de 2009.