Por João José Alencar
Culpamos o tempo pelas lágrimas despejadas,
por trazer saudades que não foram solicitadas,
por levar quem se ama para longe.
Choramos a perda,
a ausência,
o excesso,
a perfeição
a desordem.
Sempre descontentes
com algo,
culpando o relógio,
por se atrever a
nunca ter descanso
Com dor,
em sons de desespero
ou por silêncios
furiosos,
despejamos no outro a culpa,
pela falta ou presença de movimento.
E ai?
O que fazer?
De quem é a culpa?
Somos vítimas ou algozes?
Feche os olhos,
talvez algum dia tenha respostas,
quem sabe fique para sempre curioso.
Tens razão em não se sentires responsável,
o tempo é o culpado de tudo.
