Esse
é um dos poucos textos que o título nasce antes dos versos, parte de uma
angústia interna, de alguém que sempre apreciou promessas de futuro, mas que está
de saco cheio de frustrações. De alguém que aos poucos perde o medo de ideias
infortunas e se acostuma com certas coisas, como cama com um corpo só, conchinhas com o travesseiro, garrafas de
vinhos ao som de playlists de músicas românticas nas noites de
sábado.
Talvez
rompimentos com utopias latentes com meu protótipo de ser não sejam a
explicação. Pode ser que esteja aprendendo a viver com a realidade de uma forma
menos fantasiosa e curtindo as cores frias, mesmo em dias que o sol não acaba
ao iniciar da noite. Também pode ser o tal do amadurecimento, que filósofos de
plantão dizem que no homem chega mais tarde. Ou quem sabe um desapontamento com
as escolhas do coração, é o cérebro pedindo impeachment, para assumir as rédeas
e no fim deixar como está a parte que pede por companhia, continuando sozinha, dessa
vez na desculpa que foi por escolha própria.
Acredito
que é hora de aventurar em histórias curtas, onde possa curtir momentos
inesquecíveis em uma noite, e no início da manhã guardá-las em registros na
mente, tendo consciência que não se repetirão, sem sofrer pela falta de continuidade
e em contento pela oportunidade. É hora de mentir o nome, fazer joguinhos com os
olhos, treinar o sorriso, ser lobo em pele de cordeiro, inventar fatos e
personagens como máscaras sob medida, travestindo-me delas. Mas como se faz
isso? Como viver o hoje sem querer o amanhã? Na escola da vida estive ausente
na aula que justifica as diferenças e ensina como conviver com elas, explicando
porque a dramaturgia é bela, enquanto a vida não dá tréguas, é mutante.
Acho
que para a metáfora de histórias curtas, vou fazer minhas adaptações. Em vez de
virar um colecionador de amores, vou apenas tirar o peso das expectativas que
minha imaginação sempre adiciona. É o momento de saber que um dia bem
aproveitado pode valer mais que uma década de insatisfações. Quem sabe meus curtas-metragens
venham a agradar, virando longa-metragem, trilogia ou até um Chatô com anos
para ser finalizado ou um Simpsons em versão felizes para sempre. Para que assim
amores de capítulos incertos eu possa vivenciar, sem saber que hora vai acabar
e ciente de em algum momento o último beijo será dado.
Independente
de qualquer certeza que assuma como verdade, confesso que cometo erros, talvez
devesse ser desses loucos que se arriscam sem freios, que se joga no momento sem
se importar com o próximo passo. Só que personalidades não se mudam, elas apenas
se camuflam quando necessário ou se fazem secretas para permanecerem protegidas.
Sinto que meu cérebro e meu coração estão em constante pensamento, em uma
negociação árdua, sem nunca celebrar um acordo definitivo, tomara que excluam a cláusula em que amores que valem à pena são apenas aqueles
carregados de esperanças para a eternidade, para que enfim possa pular de paraquedas
na felicidade instantânea, me embriagar em linhas de poucas referências e sem
ressacas no dia seguinte.
A
metade que espera companhia precisa aprender que não é outra metade que irá
satisfazê-la, boas histórias já são suficientes para completá-la. Não devemos
esperar o amor para toda a vida, caminhar traz mais avanços, renova o ar até
que se chegue ao destino ideal. O movimento há de garantir que a aclamada felicidade
não se acanhe e nos surpreenda mesmo quando não fora convidada.
Que fique entre
nós, mas suspeito de que tive a primeira lição: não se fechar para o passageiro
significa manter-se aberto ao definitivo, mas em vez de frustrações, permitimos
ao futuro as respostas, pois o agora é o que importa.

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