segunda-feira, 7 de março de 2016

POR HOJE SÓ QUERO DEIXAR DE TE AMAR

Por João José Alencar


Fonte da imagem: Fanpage Anonymous ART of  Revolution

Em teus braços quero deixar de ser nômade, fazer porto seguro e só deixá-los quando a eternidade não quiser mais o ar que respiro. Você é a promessa de amor que algum dia o coração bêbado pela vontade de amar tatuou na minha corrente sanguínea e impregnou esse sentimento em cada centímetro de meu corpo.

Finjo que já não sinto mais nada, uma forma de adormecer a dor de saber que é em outra boca que encontras o amor. Penso que se o cupido aparecesse, sobre ele avançaria com as flechas que cravou em meu peito, o transformaria em espeto, só pra sentir como as lágrimas de seu desprezo queima minha leva de felicidade.

Não te ter, mais do que castigo é sinônimo de vazio, de um vácuo que minha alma não consegue preencher, dormir transforma-se no melhor momento do dia, pois nesse instante é que estamos juntos, mesmo sendo em devaneios da imaginação, ainda sim esta ilusão é o remédio para apaziguar os latejo que sua ausência provoca.

Poderia recorrer a feitiços, criar jogos como as tramas maniqueístas das novelas, mas me recuso a ser desleal, senão posso conquistá-la com as minhas qualidades ou não consigo lhe despertar a luxúria de consumir carnalmente toda a paixão que de minha parte é pólvora pura, então que me reste os choros, que me sobre a culpa.

Sento-me a beira de casa, contemplo a lua e as estrelas, enquanto seco mais uma garrafa de vinho, as lágrimas de meus olhos já não brotam mais, aos poucos minhas esperanças em um sentimento puro se abstêm, oro ao destino que essa dor um dia cesse, nunca pensei que o amor tão bonito na ideia abstrata se concretizasse em uma dor sem fim.

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