Por João José Alencar
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Se me perguntarem da onde é que sai tanta inspiração? Tantas
referências que não consigo entender, mas sei que estão explícitas em suas
metáforas? Só existe uma resposta capaz de sintetizar esse meu momento, estou
trocando de pele, saindo das ilusões que nutri, em processo de desintoxicação de
sentimentos que nunca irei viver, pelo menos não com quem idealizei em minha
mente.
Sou um apaixonado compulsivo, amaldiçoo os contos de fadas
da Disney e toda mentira de amor que impregnou em meu cérebro, aos poucos
remendo os fios soltos do meu coração, transformo o abstrato de tais estragos
em obra de arte, enquanto estiver respirando, não permitirei que a tristeza
consuma minha alma, não nasci para ser devorado por lágrimas, só aceito cair se
for com um sorriso no rosto.
Meu remédio é buscar forças em todos os aspectos da minha
história. Peço reforço da criança destemida que não colocava limite nos sonhos
e vestia-se de esperança toda vez que ameaçava vim trovoadas, porque com elas
também vinha chuva e debaixo de seus pingos me sentia um gigante. Vou no
adolescente rebelde, aquele que buscava consciente de suas fraquezas negociar
suas vitórias, que deixava o plano do ideal para transformar em real suas
loucuras e que colhia do fracasso promessas, no qual lhe dava a garantia de que não foram esgotadas
todas as suas chances. Olho por futuro e me abasteço com sabedoria de um velho
que não se cansou de insistir com a vida, que busca em suas limitações iluminar
aqueles que pela falta ou pouco de experiência precisam de guias. Resguardo no
meu presente a certeza que não vale a pena perder com síndromes o melhor que de
minha coragem posso construir.
Deixo o luto e a tristeza afogados em taças de vinhos,
respiro fundo e reconfiguro esses signos, o luto quero só se for em verbo, conjugando-o
por aquilo que acredito, demonstrando meu respeito a vida, tão frágil e tão
magnífica. Portanto, dou um basta, exorcizo com orações toda dor que se
manifesta, conclamo a beleza de cada gesto de amor ao próximo para impedir que
tempestades destrua minhas virtudes, mantendo intacto a suavidade de minha
alma.
Algumas vezes me culpei pelo eu
que não existe, aquele presente em outros e que parece ser mais felizes, nessa
hora faço meu diploma valer a pena, não posso deixar que o encanto do outro
negue a delícia de ser eu mesmo, seja com meus defeitos, que chamo de
particularidades, seja com minhas qualidades, que modéstia a parte são
preciosas.
É preciso entender que ser único não é ter um produto que
traz esse rótulo, é mais que cópias do que se admira na vitrine, não são
simulacros do que se projeta como felicidade. É aceitar-se com tudo que lhe
compõe, entender as cicatrizes que foram provocadas, os calos que nos lhe dão
condição de guerreiros e respeitar o calor das paixões e o frio das desilusões
que ainda estão por vir. Também não devemos esquecer que capítulos de nossa
história não determinam o nosso conteúdo, o que nos faz únicos é aceitarmos
nossas verdades e mentiras, olhar no espelho e reconhecer nosso reflexo, seja
do corpo, seja da alma.

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