terça-feira, 22 de março de 2016

SAIA DESSE CORPO TRISTEZA, ELE NÃO TE PERTENCE

Por João José Alencar

Fonte da imagem: Fanpage Anonymous ART of  Revolution
Se me perguntarem da onde é que sai tanta inspiração? Tantas referências que não consigo entender, mas sei que estão explícitas em suas metáforas? Só existe uma resposta capaz de sintetizar esse meu momento, estou trocando de pele, saindo das ilusões que nutri, em processo de desintoxicação de sentimentos que nunca irei viver, pelo menos não com quem idealizei em minha mente.

Sou um apaixonado compulsivo, amaldiçoo os contos de fadas da Disney e toda mentira de amor que impregnou em meu cérebro, aos poucos remendo os fios soltos do meu coração, transformo o abstrato de tais estragos em obra de arte, enquanto estiver respirando, não permitirei que a tristeza consuma minha alma, não nasci para ser devorado por lágrimas, só aceito cair se for com um sorriso no rosto.

Meu remédio é buscar forças em todos os aspectos da minha história. Peço reforço da criança destemida que não colocava limite nos sonhos e vestia-se de esperança toda vez que ameaçava vim trovoadas, porque com elas também vinha chuva e debaixo de seus pingos me sentia um gigante. Vou no adolescente rebelde, aquele que buscava consciente de suas fraquezas negociar suas vitórias, que deixava o plano do ideal para transformar em real suas loucuras e que colhia do fracasso promessas, no qual lhe  dava a garantia de que não foram esgotadas todas as suas chances. Olho por futuro e me abasteço com sabedoria de um velho que não se cansou de insistir com a vida, que busca em suas limitações iluminar aqueles que pela falta ou pouco de experiência precisam de guias. Resguardo no meu presente a certeza que não vale a pena perder com síndromes o melhor que de minha coragem posso construir.

Deixo o luto e a tristeza afogados em taças de vinhos, respiro fundo e reconfiguro esses signos, o luto quero só se for em verbo, conjugando-o por aquilo que acredito, demonstrando meu respeito a vida, tão frágil e tão magnífica. Portanto, dou um basta, exorcizo com orações toda dor que se manifesta, conclamo a beleza de cada gesto de amor ao próximo para impedir que tempestades destrua minhas virtudes, mantendo intacto a suavidade de minha alma.

Algumas vezes me culpei pelo eu que não existe, aquele presente em outros e que parece ser mais felizes, nessa hora faço meu diploma valer a pena, não posso deixar que o encanto do outro negue a delícia de ser eu mesmo, seja com meus defeitos, que chamo de particularidades, seja com minhas qualidades, que modéstia a parte são preciosas.

É preciso entender que ser único não é ter um produto que traz esse rótulo, é mais que cópias do que se admira na vitrine, não são simulacros do que se projeta como felicidade. É aceitar-se com tudo que lhe compõe, entender as cicatrizes que foram provocadas, os calos que nos lhe dão condição de guerreiros e respeitar o calor das paixões e o frio das desilusões que ainda estão por vir. Também não devemos esquecer que capítulos de nossa história não determinam o nosso conteúdo, o que nos faz únicos é aceitarmos nossas verdades e mentiras, olhar no espelho e reconhecer nosso reflexo, seja do corpo, seja da alma.

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