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| Fonte da imagem: Fanpage Anonymous ART of Revolution |
Sonho em pular de paraquedas,
quero sentir como é ter a liberdade de um pássaro e com segurança pousar de volta para minha realidade. Quero me
entregar ao perigo de meus pés já não estarem mais em terra firme, ser anjo por
um momento, conspirar contra o vento e após alguns minutos guardar para sempre
em minhas lembranças esse atrevimento.
Com uma mochila nas contas,
trocados resultantes de anos juntados em meu cofrinho, coragem para doar e vender
e um dane-se para qualquer medo que vier, é que pretendo viajar por destinos
incertos, me aventurar em terras desconhecidas, usar o passaporte ainda inexistente,
ter histórias para quando a velhice me cobrar ter tido uma vida.
Em minha pele irei deixar agulhas
minúsculas com sua tinta cicatrizante tatuar a eternidade de minha carne. Poderá
ser um animal que se esconde em minha personalidade, uma frase escondida em
língua que só a curiosidade permitirá desvendar, um objeto que transcende seu
significado material e representa algo resultante de meus pés calejados no qual
somente a mim é reservado o significado. Seja qual for a forma, as cores e o
lugar escolhido, sei que do meu corpo sou dono e que a ele em homenagem
deixarei um enfeite, agradecimento por sustentar as inconsequências de minha
alma.
Escrever um livro, mesmo que seja
para empoeirar em estantes. Permitir que minha imaginação possa colocar em letras
aquilo que em sonhos não mais se contenta ficar em silêncio. Deixar personagens
arbitrários, estereótipos e contraditórios se enrolarem em tramas que reflitam
pedaços do passado com visões turvas de futuro e que se misturam com certezas
presentes apenas em mundos paralelos, onde estarão bem abrigadas e porque não deliciosamente
embriagadas.
Andar a cavalo e como em um
faroeste de formigas, mostrar o forasteiro que se esconde no porão de meu
cérebro. Despir-me junto a natureza, seja nu em um banho de mar ou sem rótulos em
cima de um barco. De menino a homem, devo me reinventar, conhecer cartões
postais e deles produzir meus próprios papéis de parede. Sentir mais cheiros e
deles buscar respostas. Abraçar árvores em lugares que a natureza se faz mais
íntima, sem pudor em demonstrar todo meu afeto ao que há de mais belo.
Cantar com/e desconhecidos sem me
importar com olhares de julgamento. Ajudar quem com a mão estendida precisa tanto
de moeda quanto de sorrisos. Deixar transcender meus exageros, com juras de que
não haverá arrependimentos. Rezar sem medo da fé que carrego, mas também sem vergonha
dos pecados que venha a cometer. Permitir períodos sabáticos de coisas imprescindíveis,
em sinal de respeito a própria vida, que constantemente reinventa seu conceito
de impossível. A ti, amado eu, prometo.

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