quarta-feira, 9 de março de 2016

PROMESSAS QUE POSSO CUMPRIR

Por João José Alencar

Fonte da imagem: Fanpage Anonymous ART of  Revolution

Sonho em pular de paraquedas, quero sentir como é ter a liberdade de um pássaro e com segurança pousar de volta para minha realidade. Quero me entregar ao perigo de meus pés já não estarem mais em terra firme, ser anjo por um momento, conspirar contra o vento e após alguns minutos guardar para sempre em minhas lembranças esse atrevimento.

Com uma mochila nas contas, trocados resultantes de anos juntados em meu cofrinho, coragem para doar e vender e um dane-se para qualquer medo que vier, é que pretendo viajar por destinos incertos, me aventurar em terras desconhecidas, usar o passaporte ainda inexistente, ter histórias para quando a velhice me cobrar ter tido uma vida.

Em minha pele irei deixar agulhas minúsculas com sua tinta cicatrizante tatuar a eternidade de minha carne. Poderá ser um animal que se esconde em minha personalidade, uma frase escondida em língua que só a curiosidade permitirá desvendar, um objeto que transcende seu significado material e representa algo resultante de meus pés calejados no qual somente a mim é reservado o significado. Seja qual for a forma, as cores e o lugar escolhido, sei que do meu corpo sou dono e que a ele em homenagem deixarei um enfeite, agradecimento por sustentar as inconsequências de minha alma.

Escrever um livro, mesmo que seja para empoeirar em estantes. Permitir que minha imaginação possa colocar em letras aquilo que em sonhos não mais se contenta ficar em silêncio. Deixar personagens arbitrários, estereótipos e contraditórios se enrolarem em tramas que reflitam pedaços do passado com visões turvas de futuro e que se misturam com certezas presentes apenas em mundos paralelos, onde estarão bem abrigadas e porque não deliciosamente embriagadas.

Andar a cavalo e como em um faroeste de formigas, mostrar o forasteiro que se esconde no porão de meu cérebro. Despir-me junto a natureza, seja nu em um banho de mar ou sem rótulos em cima de um barco. De menino a homem, devo me reinventar, conhecer cartões postais e deles produzir meus próprios papéis de parede. Sentir mais cheiros e deles buscar respostas. Abraçar árvores em lugares que a natureza se faz mais íntima, sem pudor em demonstrar todo meu afeto ao que há de mais belo.

Cantar com/e desconhecidos sem me importar com olhares de julgamento. Ajudar quem com a mão estendida precisa tanto de moeda quanto de sorrisos. Deixar transcender meus exageros, com juras de que não haverá arrependimentos. Rezar sem medo da fé que carrego, mas também sem vergonha dos pecados que venha a cometer. Permitir períodos sabáticos de coisas imprescindíveis, em sinal de respeito a própria vida, que constantemente reinventa seu conceito de impossível. A ti, amado eu, prometo.

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