domingo, 24 de janeiro de 2016

SERÁ QUE VALE A PENA ACREDITAR NO AMOR?

Por João José Alencar





Se me perguntares qual é o ser mais ingênuo da face da terra? A resposta óbvia será o apaixonado. Esse que consegue nutrir esperanças mesmo quando o coração de quem deseja não é propicio a atender suas perspectivas. Pobre em suas possibilidades de concretizar o que idealiza. Rico em imaginação, para manter vivo e de forma linda as ilusões, que o permite sonhar com os olhos abertos.

Apaixonar-se é algo simples e ao mesmo tempo complexo, pois surge sem que nos demos conta das raízes que estão brotando e vai ganhando força, de forma a eliminar os anticorpos para retraí-lo. Motor para os finais tristes que emocionam plateias do mundo inteiro e combustível para um mercado que não se esgota de juras para todo o sempre.

O amor é um sentimento lindo, do qual não devemos ter medo de assumi-lo, mas que também machuca, nem sempre convêm ser aparente e refugiá-lo no peito dói, em sua companhia florescem outros estados de espírito. Talvez seja a melhor desculpa para afogar a dignidade que ainda nos resta em longas noites estendidas no álcool, esquecendo o bom juízo de absorver a dor sintomática em silêncio para expô-la em vexames libertadores. Chorando em ombros de amigos ou de pessoas desconhecidas, o que vale é gritar todo o desespero inconsciente de uma história mal resolvida.

Amar tornar-se um roda gigante de sensações, seja por carregar a força desse sentimento sozinho, como um segredo a ser repetido em tom baixo apenas para as paredes do quarto ou vivenciá-lo a dois, em qualquer parte que seja permitido uma demonstração de carinho, como uma contemplação a todas as promessas das páginas de um romance ou de um beijo de cinema. 

O amor também tem como marca um constante estar em conflito, desperta dúvidas independente da forma que é experimentado: Será que um dia chegará o momento de desfrutar o desejo reprimido? Será que ainda teremos verões para juntos de todo afeto compartilhar?

Eis que o grande perigo de se apaixonar é tornar-se vulnerável, deixar brechas para mágoas que afetarão todas as nossas formas de viver, por mais que a receita indique que o tempo cicatrizará as feridas, temos a realidade a contestar com lágrimas, que quando param de cair, faz o filtro que nos permitia enxergar em tudo arco-ires deturpar-se em neblinas.

Precisamos ser fortes, acreditar nas promessas de que em breve será nos concedido a felicidade completa. Quem sabe o papo de que algo bom nos está reservado tem seu fundo de verdade, pelo menos devemos ir à busca de fabricá-la, afinal viver só vale à pena quando a gente se joga, contanto que esse jogar não seja entendido como o mover de cartas, mas de cair ou pular para o que está a espera no fundo dos abismos da alma.

Amar, apaixonar-se, sofrer e acreditar no amanhã, talvez dessa conjugação nasça grandes lembranças. Lembre-se que se você é capaz de sentir é porque está vivo e por mais que as expectativas nunca sejam como imaginadas, a beleza impregnada no campo das ideias que somente o amor proporciona vale muito à pena.

É preciso acreditar nos inúmeros depoimentos que a história humana já propiciou, tendo desconfiança ou com uma crença indestrutível, tenhamos fé. A vida é bandida, só que alguns momentos conseguem compensar toda a provação que em outros nos dispôs. O amor é um risco do qual devemos apostar, seja em linhas tortas ou em retas perfeitas, só saberemos as consequências se optarmos em seus limites adentrar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário