Por João José Alencar
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| Foto: Najla Santos |
Sou
um ser desconexo de títulos permanentes, substituo rótulos pela felicidade de
me reinventar sempre. Em minha complexidade interna, escondo a simplicidade de
minha alma, talvez por palavras não consiga defini-la, mas quando os sentidos a
impacientam, logo a desnuda por completo.
A
senha para minha compreensão talvez seja mais que um enigma ou do que um
mistério sherlockiano. Talvez seja menos que uma palavra, e de menor
intensidade que um arrepio. Mas, com certeza trata-se de um segredo a ser
revelado, mutante conforme as intenções, duradouro conforme a comodidade de um
carinho na barriga.
Transpiro
suor, que cai de meu corpo sob o chão, e em câmera lenta, se dissolve de
liquido em sólido brilho para pisá-lo com a borracha de meus chinelos. Supero os
espinhos de pontas grossas, que perfuram os pés do gigante incorporado por
minhas atitudes, tendo por solução para evitar o sofrimento do machucado
aberto, não parar no tempo a espera de cicatrização.
Tão
qual a lágrima que cai em silêncio renasce em um sorriso esplêndido,
necessita-se desfazer do luto de um ontem sombrio, para se agarrar na esperança
de dias melhores, usando-a como desculpa para mais uma tentativa.
Utilizo
como metáfora a fênix presente em nossas vidas de gaiato, apagando as mágoas
daquilo que ficou para trás, que já se faz esquecido pelas expectativas do
futuro, este aos gritos, nos convoca a seguir o seu rastro, nesta longa estrada
da vida.
De
todas minhas faces, minhas dores, meus sorrisos, minha insanidade, minha razão,
meus esquivos, minha exclusividade, deixo a ti minhas impressões. Posso
adiantar que me entrego por completo em meus desvios, volto à reta de minha
cordialidade, apenas para encontrar atalhos para caminhos que me levem por
florestas verdes, adubadas pela podridão de galhos secos.
Talvez
na pequenez de meus atos não haja significados cristalinos, mas na leitura de meus lábios
haverá sentimentos, que se consagra em segredos, que proliferam palavras, que
dão voltas em repetições, tão intensas quanto uma oração, expressões de um recado ao outro e a mim mesmo.
Desse
semblante que se decepa por um labirinto, jogado em pedaços de um ser real, robotizado
em um personagem social, digo que quando encontrares todas as peças, e desses
fizeres seu próprio julgamento, descobrirá que no fim apenas resta os náufragos
de todo o resto, sem junções lógicas, para uma compreensão óbvia de uma
personalidade humana.

Nossa, magnífico! Você escreve muito bem. Parabéns
ResponderExcluirBrigadoo Michel me sinto lisonjeado com teu elogio.
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