Por João José Alencar
Para dias exaustivos a poesia funciona como sal grosso, simpatia para impedir o arco-íris de descolorir por completo em dias nublados.
Não chega a afastar fantasmas, seja os de homens vivos ou de entidades não convidadas.
Não retira todo o lodo, que a fúria de dentes caninos se apuseram em silêncio no dorso de nossas almas.
Não apaga o cansaço, do qual nem o café em doses altas teve efeito, em suas tentativas de nos amortecer.
Não coloca sorriso em um rosto que se recusa a se mover, paralisado pelo tédio.
A poesia apenas mantem uma fagulha acesa no órgão tocante do peito, cabe aos sonhos o poder da cura.
É na poesia, siamês da arte e lupa dos detalhes, que se é possível ressignificar a esperança.
Tornaste no verso miúdo esperançar, representante dos restos de pixels da criança interna, que insiste em dançar ao som do silêncio.
E em poucos segundos a poesia, que fores de remédio a verbo , resulta em um prelúdio de olhos fechados. Um corpo, agora mais nutrido, repousará.

Nenhum comentário:
Postar um comentário