quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

ANÚNCIO DE UM CORPO CANSADO CLAMANDO POR UMA DOSE POÉTICA


Por João José Alencar

Para dias exaustivos a poesia funciona como sal grosso, simpatia para impedir o arco-íris de descolorir por completo em dias nublados.

Não chega a afastar fantasmas, seja os de homens vivos ou de entidades não convidadas.

Não retira todo o lodo, que a fúria de dentes caninos se apuseram em silêncio no dorso de nossas almas.

Não apaga o cansaço, do qual nem o café em doses altas teve efeito, em suas tentativas de nos amortecer.

Não coloca sorriso em um rosto que se recusa a se mover, paralisado pelo tédio.

A poesia apenas mantem uma fagulha acesa no órgão tocante do peito, cabe aos sonhos o poder da cura.

É na poesia, siamês da arte e lupa dos detalhes, que se é possível ressignificar a esperança.

Tornaste no verso miúdo esperançar, representante dos restos de pixels da criança interna, que insiste em dançar ao som do silêncio.

E em poucos segundos a poesia, que fores de remédio a verbo , resulta em um prelúdio de olhos fechados. Um corpo, agora mais nutrido, repousará. 

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