Por João José Alencar
Estou em processo de hibernação, acometido pela demência de fugir do meu eu responsável e me arriscar a uma entrega a loucura e a paixão.
A loucura que busco é diminuir a força do meu histórico de ilusões, afastar todo o senso de que restam ainda milênios a minha frente e querer apenas intensidade máxima nos próximos segundos.
A paixão que suspeito ter encontrado, parece disposta a me fazer esquecer todos os protocolos contra a decepção. É como se estivesse me cortado em lâminas enferrujadas, mas em estado de graça de saber que a dor de objetos cortantes é suportável, caso a recompensa seja o ardor de seus beijos.
Meu pensamento desatina, exagera nas cores da tinta, que pinta o teu retrato em minhas lembranças. Faço meu pacto de guardá-lo no porão de meus desejos, e mesmo na escuridão, visitarei-o todos os dias.
Quero cada momento em sua presença congelados no tempo, mesmo que no futuro os busque em temperatura baixa, será o suficiente para jorrar lágrimas salinas por todos os cantos de minha pele.
Preciso dopar-me e impedir transgressões, é necessário vendar meus olhos dos sentimentos que tenho. Antes refugiar no anonimato ingrato o fogo que desperta ao te ver, do que mantê-lo aceso quando nenhuma certeza eu tenho de que ele pode de fato nos aquecer.
Seja são ou louco, tem algo batendo em uma sincronia diferente do peito, que esse cristal não se tranforme em cacos, já basta resíduos de vontades quebradas, não quero mais escutar o não de uma paixão sem correspondências.

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