sábado, 2 de novembro de 2013

QUEM EU SOU?

Por João José Alencar



Sou o típico do sonhador que vive em estado aéreo. 
Sou parecido com a água 
que permanece a bater em pedras,
até que gere pequenos furos. 

Aproximo -me da sensação do abraço sem nexos, 
aquele que surpreende o outro
e acontece sem ínfimos interesses. 

Escondo-me dos olhares,
com flechas em disparo,
capazes de podar não os meus defeitos,
e sim dissipar as qualidades que me restam.

Observo o próximo,
fim de encontrar boas histórias, 
talvez visualizar sinais do Jesus que admiro.

Talvez o que busco
Seja encontrar justificativas,
para explicar meus princípios,
sem que essas sejam provindos,
do medo do caldeirão do inferno. 
Mas sim para desprender do meu espírito,
a obscenidade da carne.

Quero uma razão, além de minha individualidade,
para acreditar que o amor,
em suas mais variáveis,
possa permanecer para sempre,
e supere as decepções do tempo.

Espero a cada segundo,
que a história que estou a escrever,
dentro do protagonismo do meu ser, 
não perca espaço para os coadjuvantes desafios,
que a vida possa em sua vilania impor. 

Posso administrar,
cada segundo do relógio biológico a que estou destinado. 
Mas não posso impedir,
que a lágrima derrame dos meus olhos.

Não posso evitar que o disparar das horas,
traga desfechos ou ganchos,
do qual na sinopse do meu viver,
não estava previsto.
Esse que apenas o amanhã,
permite se fazer advinhas.

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